ITALA Grand-Prix 1926
Tyrrell a primeira equipa de F1 a recorrer à informatização
CURIOSIDADES - Certamente que para muitos este título parece enganador, o conservador Ken Tyrrel “Velho Lenhador” a recorrer a tão sofisticada tecnologia no ano de 1977, mas podem mesmo acreditar, a Tyrrell que já no ano de 1976 tinha surpreendido o mundo automóvel com o Project 34 ou mais conhecido seis rodas não quis perder a sua veia inovadora e em 1977 com o apoio do patrocinador First Nacional City Bank criou uma equipa de pesquisa funcionando em paralelo com a de competição e cujos objectivos era a de estudar e desenvolver novas vias para o desenvolvimento dos F1, Ken Tyrrel sempre a surpreender, e, para gerir a área informática foi Karl Kempf, um jovem americano de 27 anos doutorado em física e química e que em 1975 e 1976 tinha trabalhado na GoodYear.
Como se pode ver na legenda “o equipamento é o mais completo” e todos os dados recolhidos “on-board” por Kempf beneficiaram na concepção do Tyrrell 008 e possivelmente o equipamento não era mesmo o mais completo pois o 008 foi bastante mediano nas suas prestações, mas a tecnologia é mesmo assim, nem sempre o pioneiro é o que recolhe os louros mas sem dúvida que esta iniciativa foi um marco nos desportos motorizados.
Resumo da entrevista de Karl Kempf ao jornal O Volante de 1977/1978*
O NOVO TYRRELL 008 BENEFICIARÁ DOS ESTUDOS DE KEMPF
“Comecei como químico na divisão de pesquisa da GoodYear, em Akron e precisamente no estudo de novas misturas de borracha para os pneus de competição. Em 1970, entre duas especializações que fiz na universidade, Dennis Chroback convidou-me para a divisão de competição da GoodYear. Mais tarde, em 1974, quando Dennis foi colocado na Europa como director do Departamento de Competição, vim com ele. Através de frequentes conversas que tínhamos, comecei a sensibilizá-lo para o problema que eu considerava primordial na competição: o conhecimento perfeito de todos os parâmetros que influenciam o rendimento de um pneu. Só conhecendo estes parâmetros é possível construir o melhor pneus para determinada função. Dennis compreendeu esse problema e deu-me “ carta branca” para começar os ensaios de pista. Foram contactadas várias equipas de F1, mas só três se mostraram verdadeiramente receptivas à ideia: Tyrrell, Shadow e Ferrari.”
Kempf ficou na GoodYear dois anos, até ser convidado , no final de 1976, para se juntar à Tyrrell e orientar o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. A sua missão na equipa é a de construir e instalar o equipamento electrónico necessário para registar e medir o funcionamento de determinados componentes dos carros de Ken Tyrrell. Com bas nestes dados, Kempf teve de construir um modelo matemático. “ Um piloto pode falar-nos sobre o efeito de uma modificação , onde o carro é controlável ou não, onde se torna mais difícil de guiar. Mas para um projectista, o que é necessário é saber o que causou esse efeito, para poder modificá-lo, se for caso disso. Isto só é possível fazer conhecendo todas as variáveis, isto é, todas as forças que actuam no carro. As impressões do piloto são muito importantes, mas, por si só, não chegam.”
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Os instrumentos de medida actualmente montados no carro chamam-se transdutores e a sua missão é a de converter deslocamentos, velocidades ou acelerações em voltagens registadas numa caixa electrónica onde são preparadas para ser lidas na fita magnética. “Um deslocamento pode ser o trabalho de uma suspensão ou o movimento do acelerador, velocidades podem ser as das rodas ou do próprio carro e, quando falamos de acelerações, referirmos às longitudinais e às laterais” diz Kempf.
O aparelho registador colocado no carro tem 32 canais e, portanto, é capaz de registar simultaneamente, 32 parâmetros diferentes. Este registador que foi propositadamente construído para a equipa Tyrrell, tem como características principais o baixo peso, a compacidade e a fiabilidade. Além disso trabalha com uma reduzida quantidade de energia, o que dispensa a utilização de baterias pesadas, que ocupariam um considerável espaço.
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O campo de aplicação deste equipamento é, segundo Kempf, ilimitado: “ Muito em breve, estaremos em condições de medir a temperatura de um pneu no próprio momento em que ele está a ser utilizado na pista e não depois do facto, como se faz actualmente quando o carro chega às boxes.. Podemos efectuar testes aerodinâmicos e medir pressões e velocidades acima da superfície da carroçaria, em qualquer altura do teste de pista e não só no ambiente artificial de um túnel de vento. Estamos neste momento a acabar um equipamento que nos vai permitir medir determinados parâmetros como, por exemplo, a temperatura do corpo do piloto, as vibrações a que ele está sujeito e inclusive o ruído no interior do seu capacete…”. E Kempf conclui “ Os nossos testes actuais concentram-se em descobrir a verdadeira relação entre a suspensão e o pneu. Para atingirmos este objectivo,registamos exactamente o que cada roda faz em termos de transferência de peso , alteração de camber, ressaltos de direcção e outros aspectos. Depois , comparamos estes registos com as opiniões dos pilotos sendo então possível descobrir as posições das rodas num local onde o piloto se queixou do comportamento do carro. Pode-mos mesmo dizer-lhe, com exactidão, o que ele fez em termos de aceleração e direcção para produzir esse efeito. Só compreendendo o que realmente acontece na pista é possível melhorar o carro e torná-lo suficientemente competitivo. Os nossos dois examinadores – o piloto e o cronómetro – dirão se o conseguimos”
* Fotografias e resumo retiradas do artigo do jornal O Volante, infelizmente por só ter os recortes é impossível informar o autor da entrevista e número do jornal, assim como a data de saída para o público e só a transcrevi por achar a mesma de grande interesse e visão por parte de Karl Kempf.
TYRRELL 008
Um excelente vídeo do P. Depailler e em que apesar de toda a tecnologia utilizada, o piloto, sentado no seu local de trabalho, trabalhava mesmo…
Benetton B193C – Primeiro Formula 1 com quatro rodas direccionais
CURIOSIDADES – O primeiro Formula 1 com quatro rodas direccionais foi o Benetton B193C e fez a sua estreia no GP do Japão 1993, conduzido por Michael Schumacher tendo conseguido o quarto melhor tempo nos treinos e desistindo por acidente na corrida. Segundo Pat Symmonds a ideia nasceu quando ele e Rory Byrne estudaram um Reynard F1 e quando chegaram ambos à Benetton em 1993 decidiram continuar com esta tecnologia mas devido a alguma indefinição regulamentares em relação à electrónica só foi possível testar no GP da Hungria. O sistema permitia uma rotação de 2graus nas rodas posteriores o que permitiria uma melhor colocação do carro nas curvas.
(Imagem retirada da revista Quattroruote Sepecial Sport 1993)
Primeiro carro híbrido – Lohner/Porsche 1899
CURIOSIDADES – Agora que tanto se fala do retorno da Porsche às 24 horas de LeMans com um carro híbrido convém lembrar que o Sr. Porsche esteve envolvido na criação do primeiro carro a utilizar esta tecnologia tendo mesmo conduzido e um híbrido Lohner-Porsche à vitória no Exelberg Rally de 1901.
Este post foi retirado do forum LEHRENKRAUS CAFÉ e como podem ver seguindo o link (clicar na imagem) provocou alguma controvérsia, novas opiniões são bem vindas.
Primeira vitória de um carro tracção frontal
CURIOSIDADES – O primeiro carro com tracção ás rodas da frente* foi Christie nas 250 milhas de Daytona Beach 1907.
* Normalmente diz-se tracção frontal ou tracção ás rodas da frente, é mal dito, tracção é sempre ás rodas da frente, ás rodas traseiras é propulsão.
Porsche 917K # 030 – Primeiro carro a testar sistema ABS
Primeiro carro de G.P com suspensão dianteira independente
CURIOSIDADES – Tenho escrito pouco sobre curiosidades do mundo automóvel, e para retomar a temática vou mostrar o primeiro carro de G.P. com suspensão independente frontal. Foi o Bollées 1899 e como se pode constatar pela fotografia o trabalho é verdadeiramente genial
Deixo aqui um link curioso da corrida Verona/Verona em que o Bollées se classificou na segunda posição, corrida que foi ganha por um tal de Giovanni Agnelli percorrendo a distancia de 161Km na estonteante média de 31,880 Km/h.
14 Março de 1899 – 161 Km
Única vitória de um motor H16 na F1
O carro mais antigo inscrito numa grande competição
CURIOSIDADES – O carro mais antigo a tomar parte numa grande competição foi o Peugeot Grand-Prix de 1914 quando o coleccionador Lindley Bothwell o tentou classificar para as 500 Milhas de Indianápolis 1949
Primeiro carro de Grande–Prémio com motor traseiro
CURIOSIDADES – O primeiro carro de GP com motor, caixa de velocidades e diferencial traseiro foi o Benz Tropfenwagen de 1923, desenhado pelo Austríaco Edmund Rumpler, com um motor de 2L DOHC e quatro válvulas por cilindro era demasiado fraco para os sobrealimentados Fiat, mas pesando somente 750Kg conseguiu alguns resultados de relevo como o de sua estreia no GP de Monza 1923, que se classificou em 4º lugar conduzido por Nando Minoia, posteriormente o Benz teve algum sucesso em provas de Rampa muito em voga na época.
É curiosa a aversão dos construtores de carros de GP a esta tecnologia, pois mesmo Enzo Ferrari era bastante relutante chagando mesmo a dizer “ Que nunca tinha visto uma carroça em que os animais iam a trás “
Edmund Rumpler em 1921 tinha lançado o citadino Rumpler Trofenwagen, carro com pouco sucesso, o mercado Alemão saído de uma guerra mundial não estava muito apreciador de projectos demasiado inovadores.
Trossi-Mónaco - Primeiro carro de GP com motor radial
CURIOSIDADES – O primeiro carro com motor radial foi o Trossi-Monaco Grand-Prix de 1935, Augusto Mónaco construiu um dos mais estranhos carros de GP de sempre, motorizado com um 16 cilindros radiais (dois bancos de 8 cilindros) 3.982cc, 2 tempos, equipado com 2 compressores Zoller. desenvolvia a bonita potencia de 250cv às 6000 rpm, a Fiat que tinha apadrinhado este desvaneio, abandona-o e A. Mónaco encontra no endinheirado Carlo Trossi o apoio para o inscrever no GP de Itália de 1935, o carro foi testado em Monza mas a repartição de peso 75/25 tornava-o muito instável pelo que nunca mais foi visto em pista estando actualmente no Museu Automóvel de Turim.
Fotografias retiradas de JALOPNIK e HISTORICRACING:COM
Primeiro carro equipado com pneumáticos a ganhar uma corrida
CURIOSIDADES – Foi o Duryea, pilotado por Charles Duryea na corrida Chicago Times-Herald, de Chicago até Waukegan em Novembro de 1895. O carro foi construído por Charles Duryea e seu irmão Frank, irmãos que tiveram uma importância enorme na industria automobilística americana e não só, pois foram os primeiros a terem uma visão verdadeiramente empresarial desta e desde logo visto o potencial das corridas de automóveis como elemento de desenvolvimento e publicidade para os seus produtos, como tantos outros na vida ficam como nota de rodapé em relação a outros que com campanhas publicitárias aguerridas passam uma mensagem enganosa, c`est la vie….
Primeira corrida onde foi utilizado pneumáticos
CURIOSIDADES – A primeira corrida onde foram utilizados pneumáticos foi na Paris-Bordeaux-Paris de 1895, André Michelin no Peugeot l`Eclair, corrida que foi ganha por Émile Levassor em Panhard & Levassor e o terceiro classificado foi A. Koechin a 11horas, ainda dizem que a F1 é monótona.
Primeiro carro de competição Australiano
CURIOSIDADES – O Maybach Specials MKI foi o primeiro carro de competição construído na Austrália com potencial internacional, com os excedentes da II Guerra Mundial Charles Dean e Stan Jones, pai do ex campeão mundial Alan Jones, construíram um carro muito interessante tendo o seu resultado mais significativo sido o primeiro lugar no GP da Nova Zelândia de 1954 guiado por S. Jones.
Honda RA 272 – Primeiro F1 com motor V12 transversal
CURIOSIDADES – O primeiro F1 com motor V12 transversal foi o Honda RA 272 e disputou o seu primeiro GP na Alemanha 1964 conduzido pelo enigmático Ronnie Bucknum, dois anos antes Alfieri desenhou um carro similar para a Maserati, tendo somente sido construído o motor.
Scarab – Último carro de GP com motor frontal
CURIOSIDADES – O último carro F1 com motor frontal inscrito para um Grande Prémio foram os dois Scarab no GP do Mónaco de 1960, pilotados por Lance Reventlow e Chuck Daigh, que não se qualificaram para a corrida, esta veio a ser ganha por S. Moss num Lotus-Climax
Fotografias retiradas ULTIMATECARPAGE.com
Primeiro motor de GP com comando desmodrômico de válvulas
A palavra desmodrômico é derivada de “desmo” , controlado, ligado, e “dromo”, caminho, curso.
Este é um sistema que utiliza dois balancins por válvula, um abre e outro fecha a referida válvula, isto em substituição da mola, que devido ao aumento das rotações dos motores da época e há tecnologia da altura não permitia a mais perfeita sincronização do cruzamento de válvulas, altura em que as duas válvulas estão abertas para permitir uma melhor homogeneização da mistura de combustível, importantíssimo para o aumento de potencia e melhor desempenho do motor. Nos anos 80 os motores Renault F1, foram equipados com um comando de válvulas pneumático que é de certa maneira uma evolução desta tecnologia.
Porsche 550 Spyder – Primeira tentativa de aileron
CURIOSIDADES – A primeira aparição de um carro equipado com aileron foi o Porsche 550 Spyder dos Suiços Pierre e Michaell May e inscrito para os 1000Km de Nurburgring de 1956, M. May , piloto confirmado e Engenheiro diplomado teve a impossível missão de convencer os comissários das melhorias causadas por este sistema, segundo ele podia passar a 160Km/h em curvas que anteriormente eram descritas a 100Km/h (optimismo?), mas tal esforço foi infrutífero, tendo o aileron sido retirado para a prova, este sistema só voltaria a ser visto 10 anos mais tarde no Chaparral 2 F.
Último carro de GP com corrente de transmissão
CURIOSIDADES – Último carro de Grande Prémio a utilizar corrente de transmissão foi o Mercedes no GP de França de 1913.
Fotografia retirada de Galeria de robertknight16
Primeira mulher a pontuar num GP
CURIOSIDADES – Continuando com as Mulheres no automobilismo, a primeira mulher a pontuar num Grande Prémio foi a falecida Lella Lombardi no Grande Prémio de Espanha de 1975, ao volante do March 741e que se classificou em sexto lugar, mas devido à interrupção da prova causado por um acidente foi-lhe atribuído meio ponto.
Como curiosidade vi-a correr no Autódromo de Estoril ao volante de um simpático Fiat 128 gr2.
L. Lombardi ao volante do Lola T330 de F5000. Foto Copyright Simon Lewis
Fontes Old Racing, Wikipedia e arquivo pessoal



